Dois anos depois, outra parceria de Rildo Hora com Sérgio Cabral, Os meninos da Mangueira (1976), fez grande sucesso na voz do cantor Athaulfo Alves Júnior (1943 – 2017).
Além do sucesso como compositor na década de 1970 e do êxito como produtor musical, ofício que exerceu de 1973 a 1981, o carioca Sérgio de Oliveira Cabral Santos (27 de maio de 1937 – 14 de julho de 2024) também fica imortalizado na história da música brasileira como pesquisador e como escritor de livros – biografias, sobretudo – em que perpetuou o conhecimento que angariou em 87 anos de vida.
Jornalista Sérgio Cabral morre aos 87 anos
A morte de Sérgio Cabral na manhã deste domingo, na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ), entristece o mundo da música, em especial o universo do samba.
Jornalista, profissão na qual ingressou em 1957, Cabral usou o faro de repórter para pesquisar e amealhar informações que renderam livros como As escolas de samba do Rio de Janeiro: o quê, quem, como, onde e porquê, editado no mesmo ano de 1974 em que Martinho da Vila apresentou o samba Visgo de jaca ao Brasil.
Sérgio Cabral foi um farol que jogou luz e conhecimento sobre tradições da música brasileira, com ênfase no amor pelo samba. Era capaz de fazer elogios superlativos aos discos e/ou aos artistas que apresentava em textos escritos para os formadores de opinião (releases, no jargão do jornalismo musical). Mas era também rigoroso com a apuração e exposição das informações – rigor que usou ao julgar as escolas de samba na função de comentarista de Carnaval da TV Globo nos anos 1970.
Em favor da difusão de informações detalhadas e precisas, Cabral por vezes até prejudicou a fluência das narrativas de livros como Elisete Cardoso – Uma vida (1993) e Nara Leão – Uma biografia (2001).
Nacionalista ferrenho quando o assunto era música, mas sempre amoroso no trato com os artistas, Sérgio Cabral deixa rede de afetos na passarela do samba, além de folha de grandes serviços prestados à memória da música brasileira, seja por ter biografado nomes do porte de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) e Pixinguinha (1897 – 1973), seja por ter sido o produtor musical de álbuns relevantes de artistas como Baden Powell (1937 – 2000), Dona Ivone Lara (1922 – 2018) e Paulinho da Viola.
Sempre dentro do universo do samba e do Carnaval, Sérgio Cabral também contribuiu com a pesquisa e o texto de musicais de teatro como Sassaricando – E o Rio inventou a marchinha (2007) e É com esse que eu vou (2010), ambos encenados com o sucesso que pautou a vida e a obra deste artista de talentos múltiplos, agitador da cultura e das tradições musicais do Brasil.

