A Justiça do Tocantins aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réus Thiago Gonçalves Policena e Jaqueline Santos Cardoso pela morte da adolescente Esmeralda Domingos da Silva, de 17 anos, em uma distribuidora de bebidas de Palmas. Com a decisão do juiz Cledson Jose Dias Nunes, da 1ª Vara Criminal de Palmas, o casal responderá formalmente pelo homicídio, que teria sido motivado por ciúmes após a jovem dançar próximo ao homem.
O crime aconteceu na madrugada de 28 de janeiro deste ano, no setor Jardim Aureny IV. Segundo as investigações da Polícia Civil, a adolescente foi atingida por disparos na região do pescoço no estabelecimento após dançar perto de Thiago, que estava acompanhado de Jaqueline. A mulher teria se incomodado com a situação, saído do local e retornado armada para efetuar os disparos. O casal fugiu do estado após o crime, mas foi localizado e preso em março.
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A defesa de Thiago Gonçalves Policena afirmou que o recebimento da denúncia é um ato formal e não indica culpa. Para o advogado, o início do processo permitirá apresentar provas que demonstram a inocência do réu e a ausência de responsabilidade sobre o crime. (Veja a nota na íntegra ao final da reportagem)
Já a defesa de Jaqueline Santos Cardoso está a cargo da Defensoria Pública. O g1 solicitou um posicionamento mas até a última atualização desta reportagem não obteve resposta.
Na decisão que tornou o casal réu, o juiz informa que há provas da existência do crime e indícios suficientes de autoria para o início da ação penal. O magistrado também determinou decidiu que os réus devem continuar presos enquanto o processo se desenrola, devido a fuga do casal para outro estado após o homicídio.
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Esmeralda Domingos da Silva morreu após ser baleada em uma distribuidora de Palmas
Arquivo Pessoal/ Esmeralda Domingos da Silva
Além disso, a Justiça ordenou a retirada do sigilo do inquérito policial, tornando as informações públicas, exceto em pontos que preservem a intimidade dos envolvidos. Os réus agora têm o prazo de 10 dias para apresentarem suas respostas à acusação por escrito. O processo seguirá para a fase de instrução, com a coleta de depoimentos de testemunhas e análise de provas.
A família da vítima também será oficialmente informada sobre o andamento do processo. Esmeralda, descrita por parentes como uma jovem alegre que sonhava em ser dançarina, sofria de transtornos de saúde mental, como TDAH e dificuldades intelectuais, e contava com o apoio constante da avó e tias.
Relembre o caso
Testemunhas relataram que Esmeralda estava em uma distribuidora de bebidas quando foi baleada por Jaqueline, que teria se irritado com a presença da jovem perto de seu namorado, Thiago. Antes de atingir a adolescente no pescoço, a suspeita ainda teria tentado disparar contra amigos da vítima.
A investigação, conduzida pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), concluiu que a motivação foi exclusivamente ciúmes. Após o crime, o casal fugiu para o Pará e foram localizados em Santana do Araguaia (PA), onde haviam sido presos em flagrante por um roubo à mão armada.
Após a identificação pela Polícia Civil do Tocantins, os dois foram transferidos para o sistema prisional de Palmas em março. Durante o período de busca, a família de Esmeralda realizou diversas manifestações pedindo agilidade na Justiça.
A adolescente, que trabalhava como babá para ajudar a cuidar da mãe, que sofre de problemas mentais, é lembrada por amigos e familiares como alguém que “levava alegria por onde passava”. A tia da jovem afirmou à época que a prisão trouxe um sentimento de alívio, mas que a família continuará acompanhando o julgamento para garantir que os responsáveis sejam punidos.
Nota da defesa de Thiago Gonçalves Policena na íntegra
A respeito do questionamento sobre o recebimento da denúncia, a defesa técnica de Thiago Gonçalves Policena esclarece que se trata de um procedimento formal e esperado, que marca o início da instrução processual.
O recebimento da denúncia não significa, em hipótese alguma, um juízo de mérito ou de culpa. Pelo contrário: é o momento em que a defesa terá, finalmente, a oportunidade de exercer o contraditório de forma plena, apresentar as provas documentais e testemunhais e demonstrar a total ausência de responsabilidade do Thiago nos fatos narrados, e sua inocência.
Reiteramos nossa confiança na Justiça e reafirmamos que a inocência será provada ao longo do processo. Seguimos à disposição.

