quinta-feira, 18 junho, 2026
Google search engine
HomeTocantinsAmigos e professores fazem homenagem ao pesquisador indígena Mairu Karajá: 'Líder que...

Amigos e professores fazem homenagem ao pesquisador indígena Mairu Karajá: ‘Líder que inspirava muitos’

Amigos, parentes e professores plantaram árvore em homangem ao pesquisador Mairu Hakuwi Kuady Karajá
Leovegildo Caldas/Arquivo pessoal
Amigos, parentes de professores se reuniram para homenagear o pesquisador indígena Mairu Hakuwi Kuady Karajá. A despedida foi marcada por relatos e o plantio de uma muda de jatobá na Universidade Federal do Tocantins (UFT). Ao g1, a prima Nandyala Waritirre contou que Mairu era sonhador e gostava de aproveitar a vida.
“Acredito que ele era uma das pessoas que conheci que mais soube viver essa vida. Gostava de viajar, de experimentar a culinária local, ele gostava mesmo de comer e beber, conversar e fazer amigos. As pessoas se sentiam amadas e confortáveis ao lado dele. Era muito ligado à família. Inclusive, uma das preocupações era proporcionar o melhor para os pais, para a irmã. Abrir caminhos para seu povo, o nosso povo, o povo Iny (Karajá)”.
📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp
Mairu tinha 30 anos e morreu no dia 14 de junho após sofrer um infarto em Brasília, onde estava morando, segundo a família. O enterro aconteceu na aldeia São Domingos (Krehawã), em Luciara (MT).
O pesquisador era graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), fez mestrado em Direito na Universidade de Brasília (UnB) e fazia doutorado na França. Suas produções acadêmicas defendiam a construção de conhecimento a partir das perspectivas indígenas.
Amigos, parentes e professores plantaram árvore em homangem ao pesquisador Mairu Hakuwi Kuady Karajá
Leovegildo Caldas/Arquivo pessoal
A homenagem aconteceu nesta terça-feira (16), no campus de Palmas da UFT. Amigo de Mairu há 10 anos, o estudante Leovegildo Caldas Carneiro contou que a despedida foi idealizada por amigos e colegas do campus de Porto Nacional e Palmas.
“Mairu era a pessoa mais extraordinária que alguém pudesse imaginar. Ele conseguia cativar muita gente diversa, só pela essência. Na homenagem mesmo, tinha as mais variadas pessoas que estiveram presentes na vida dele. A homenagem foi linda e cheia de sentimentos. Não está sendo fácil o luto que estamos vivendo”, contou o amigo.
A prima lembra que o pesquisador tinha uma personalidade forte, era querido pelas pessoas próximas e comprometido com o fortalecimento da cultura Iny. Nandyala passou um tempo sem ir à aldeia e, com apoio de Mairu, retornou ao lar.
“Quando eu entrei na faculdade, quis voltar à aldeia em um dos rituais, um dos maiores rituais da nossa etnia. E o Mairu foi comigo, me acompanhou, quando a gente se reconectou novamente. E foi incrível, foi uma viagem maravilhosa, foi o meu tradutor, porque eu não falo a minha língua materna. Então ele foi esse norte para o retorno das minhas raízes, e me ajudou nas minhas pesquisas”.
LEIA TAMBÉM
Morre indígena que fazia doutorado em Paris e era inspiração para os povos originários
Pesquisador indígena de MT que fazia doutorado em Paris morreu de infarto, diz família
Quem era Mairu Karajá, pesquisador indígena de MT que morreu aos 30 anos
Quem era o pesquisador?
Mairu Hakuwi Kuady Karajá, era natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã
Reprodução/Redes sociais
Mairu era natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã, em Luciara (MT) e trabalhava como diretor geral de operações da empresa Biofix Brasil.
O pesquisador atuou como membro do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (OBIND/UnB), foi coordenador territorial do projeto Ilha do Bananal+ e professor voluntário da língua Inyrybè, contribuindo para a preservação da cultura do povo Iny Karajá.
Pela sua trajetória, Mairu era convidado com frequência para compor mesas e dar palestras sobre a cultura dos povos indígenas e as organizações sociais.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
MAIS NOTICIAS
- Publicidade-texte