segunda-feira, 15 junho, 2026
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Mairu Karajá foi pioneiro em abrir as portas da universidade para indígenas no TO

Estudante indígena é selecionado para programa de pós-graduação em Paris
Mairu Hakuwi Kuady Karajá, que morreu neste domingo (14), aos 30 anos, foi um dos precursores na ocupação do espaço universitário pelos povos originários no Tocantins. Em nota de pesar, a Universidade Federal do Tocantins (UFT) destacou que o jovem foi pioneiro ao abrir as portas da instituição para os povos originários, integrando a primeira turma do curso de Relações Internacionais, de 2015.
A morte de Mairu ocorreu em Brasília (DF) e, segundo a família, foi causada por um infarto. Ele era mestre em Direito pela UnB e estava na França, realizando doutorado em Paris. Conhecido pela trajetória de superação, ele chegou a limpar banheiros para pagar os estudos no ensino médio.
Mairu era considerado uma das lideranças jovens mais expressivas na defesa dos direitos dos povos tradicionais.
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A nota da UFT ressalta que a passagem de Mairu pela universidade foi marcada pelo compromisso com a transformação social e pela luta por políticas de diversidade e saúde mental como pilares para a permanência de estudantes indígenas. Ele também atuou no Programa de Educação Tutorial – Conexões de Saberes Indígenas (PET Indígena) e no Fórum dos Estudantes Indígenas.
Sua trajetória na graduação culminou no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado “INY DEÉ RENY: O Direito Indígena na Perspectiva da Constituição Federal e das Organizações Internacionais – ONU e OIT”.
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Mairu Hakuwi Kuady Karajá, era natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã
Reprodução/Redes sociais
Na pesquisa, Mairu realizou um mapeamento crítico e uma historiografia do direito indígena no Brasil, analisando o desafio da execução dos direitos originários frente ao Estado brasileiro e a organismos como a ONU e a OIT. O estudo também deu destaque ao protagonismo de lideranças como Raoni Metuktire e Ailton Krenak.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) também manifestou pesar, classificando Mairu como um “defensor da cultura de seu povo”. A fundação destacou o projeto Inỹribè – Fortalecimento e Revitalização da Cultura Inỹ, idealizado por ele para garantir a preservação da língua Karajá e a transmissão de saberes tradicionais para as novas gerações.
“Que o seu legado possa ser referência para a política indigenista e inspire as atuais e futuras gerações”, afirmou a Funai em nota.
Sonho com o protagonismo jovem
Mairu defendia que a ocupação de espaços institucionais deveria caminhar junto com o fortalecimento da identidade ancestral. Em 2017, quando ingressou na universidade, ele compartilhou com o g1 sua visão sobre o futuro e a adaptação cultural:
“Eu sonho com um dia em que os jovens das nossas comunidades alcançarão os objetivos. A cultura é adaptável e não um museu cultural como a maioria imagina, não estamos presos no passado dos livros e da história. O tempo muda e os objetivos também”, declarou na época.
Além do doutorado na França, Mairu atuava como diretor geral de operações da empresa Biofix Brasil e era membro do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (OBIND/UnB).
João Paulo Hakuwi Kuady (c) ao lado da família
Arquivo Pessoal
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